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Saneamento Ambiental | I Seminário Microalgas: Microalgas podem tratar efluentes01/01/2010   Foto: Luciana Miashiro/Algae
As emissões da queima dos combustíveis de microalgas são significativamente menores que as do diesel Tecnologia: Microalgas podem tratar efluentes

Organizado pelo Instituto Ekos Brasil e com o apoio da Algae Biotecnologia, o Primeiro Seminário Microalgas reuniu em São Paulo pesquisadores nacionais e internacionais, que, através de palestras, puderam debater temas ligados à produção industrial de microalgas para biocombustíveis e sequestro de carbono, bem como sua utilização no tratamento de efluentes urbanos.


Sobre o processo de cultivo de microalgas, Sérgio Goldemberg, gerente técnico da Algae Biotecnologia, explica que "inicialmente o cultivo é feito em reatores dentro de laboratório, onde as microalgas, alimentadas com nutrientes, dentre os quais o CO2, dobram em número a cada dois dias, gerando grande quantidade de biomassa rica em óleo, que pode ser extraída e transformada em biodiesel e bioquerosene para aviação; no estágio inicial, a biomassa bruta pode ser utilizada como substrato alternativo para biodigestores, gerando biogás e biofertilizantes".

Maria Ghirard, cientista e professora doutora da Colorado School of Mines (USA) e uma das palestrantes, destacou os trabalhos desenvolvidos no National Renewable Energy Laboratory (NREL), instituição americana que atua em pesquisas com microalgas. Ela falou sobre as pesquisas na produção de hidrogênio por meio de microalgas e afirmou que "o gás hidrogênio oferece grande vantagem, por ser renovável e possuir combustão limpa. Além disso, sua produção não concorre coma agricultura, ou seja, não compete com a produção de alimentos"., explica a professora.

Sobre o uso das microalgas na produção de biocombustíveis, Sérgio Goldemberg, ressalta a superação do dilema alimentação: "Como as microalgas utilizam pouco espaço e poucos recursos, não ocorre nenhum tipo de competição na produção de alimentos, isto quando comparado diretamente com outros biocombustíveis. Já comparando com energia fóssil, a primeira vantagem é, como o próprio nome já diz, uma energia que não tem fim e que deve existir enquanto houver luz do sol. Além disso, na questão da sustentabilidade as emissões da queima dos combustíveis de microalgas são significativamente menores que as do diesel".

Entre outras aplicações relacionadas ao emprego das microalgas debatidas no evento, destaca-se ainda o emprego destas processo de tratamento de águas residuais de inúmeros processos industriais, para detoxificação biológica e remoção de metais pesados. "O cultivo de microalgas integrado às estações de tratamento de efluentes ajuda na despoluição, ao mesmo tempo em que serve nutrientes para as microalgas", segundo Paulo Vagner Santos, doutorando em Engenharia Hidráulica e Saneamento na Universidade de São Paulo.

No processo de tratamento de efluentes, Sérgio Goldemberg explica os trabalhos da Algae Biotecnologia para a área: "Damos um outro enfoque ao nosso projeto em relação aos outros países, pois enquanto eles consideram a utilização de água limpa e uso de nutrientes fósseis, nós damos um outro enfoque, que é justamente a utilização de resíduos com um duplo objetivo: economia de nutrientes. Como contribuímos com o consumo dos nutrientes que estão nesses resíduos, acredito que, nesta área, estamos bem à frente.", diz Goldemberg, ressaltando ainda a parceria com a Sabesp em um projeto de pesquisa e desenvolvimento na área de tratamento de efluentes.

O evento contou ainda com palestras de Eduardo Jacob, da Universidade Federal de Santa Maria, que falou sobre o sequestro de carbono por microalgas e da química Anna Lucia Mourad, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), que explicou  o processo de análise  de ciclo de vida da produção de biocombustíveis de microalgas.

Notícia publicada originalmente em Saneamento Ambiental
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